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Os que ficaram pelo caminho

Nesta página pode aceder aos nomes de quantos, já devidamente identificados, ficaram pelo caminho, mortos em manifestações e protestos, sob tortura, nas cadeias, nos campos de concentração e como resultado direto dos maus-tratos sofridos à mão das várias polícias do fascismo.

A todos quantos possuam elementos que possam ajudar a aprofundar estes dados, muito agradecemoa que nos informem.

Jacinto de Melo Faria Vilaça

Jacinto Estêvão de Carvalho

Data da morte:

Jornaleiro, é preso pela PVDE em 7 de agosto de 1937 e levado para a Cadeia do Aljube, passando depois pela sede da polícia e pela Penitenciária. Em 25 de julho de 1938, cerca de um ano após a sua prisão, a PVDE regista que o teria "restituído à liberdade" mas o certo é que o seu corpo aparece no Instituto de Medicina Legal!

Jaime da Costa

Data da morte:

No dia 15 de maio de 1939, por ordem do governador civil de Aveiro, a GNR abriu fogo sobre os manifestantes que protestavam, na localidade de Válega, Ovar, contra o arranque forçado das vinhas dita “americanas”, cuja cultura o governo proibira entretanto, matando Jaime da Costa e Manuel Maria Valente de Pinho.

Jaime Fonseca e Sousa

Data da morte:

Funcionário Público (impressor da Casa da Moeda) e militante do Partido Comunista Português foi preso a 25 de abril de 1932. Enviado para a Fortaleza de S. João Batista, em Angra do Heroísmo, nos Açores, a 22-11-1933. Julgado em Tribunal Militar Especial, foi condenado em 12 anos de degredo. Requereu a sua transferência para um hospital de Lisboa a fim de ser operado, o que foi autorizado pelo ministro do Interior, mas foi operado em Angra. Seguiu para o Tarrafal, onde vem a falecer a 7 de julho de 1940.

João Gomes Neto ou João António Barbosa Gomes Neto

Data da morte:

Empregado de comércio, foi entregue à PVDE em 16-07-1941. Seguiu para a 1.ª Esquadra, depois para a Cadeia do Aljube e seguidamente para Peniche. Transferido de novo para a Cadeia do Aljube em 11-02-1943, baixou nesse dia à enfermaria. Gravemente debilitado, morreu na enfermaria do Aljube no dia 05-04-1943, com 50 anos de idade.

João Guilherme Rego Arruda

Data da morte:

João Guilherme Rego Arruda é um dos muitos jovens que se concentravam junto à sede da polícia política exigindo a sua ocupação e rendição. Já depois da rendição de Marcelo Caetano no largo do Carmo, agentes da DGS abrirão indiscriminadamente fogo a partir das varandas e das janelas do edifício sobre a multidão na rua, causando dezenas de feridos e quatro mortos. Perto das 20h30 João Arruda foi mortalmente atingido na cabeça por uma das balas da polícia política, acabando por morrer no Hospital de São José às 00h30 de 26 de abril. 

João lopes Dinis

Data da morte:

Com a profissão de canteiro, militante do Partido Comunista Português, foi condenado a dez anos de degredo com "prisão numa das Colónias à escolha do Govêrno". Percorreu as cadeias do Aljube, de Peniche e de S. João Batista, até ser enviado para o Tarrafal, onde faleceu em 12 de novembro de 1941, com 37 anos de idade.

João Marques

Data da morte:

Trabalhador, foi enviado à PVDE pelo Procurador da República da Comarca da Sertã, em 24 de março de 1939, recolhendo à 1.ª Esquadra e sendo restituído à liberdade em 25 de abril de 1939. Um ano depois, a 28-06-1941, foi preso pela PVDE, acusado de "afixação de panfletos subversivos", tendo recolhido à Cadeia do Aljube. Transferido para Caxias em 08-07-1941, foi mandado para a Casa de Saúde do Telhal, onde virá a morrer em 26-09-1942, com a idade de 43 anos.

João Martins Branco

Data da morte:

O estudante João Martins Branco, aluno do Instituto Comercial e Industrial do Porto, foi assassinado no dia 28 de abril de 1931 pelas forças da PSP que atacaram uma reunião de estudantes em greve.

Joaquim José da Silva

Data da morte:

Proprietário, natural de Faro, nasceu em 22-07-1876, filho de Justino José da Silva e de Isabel da Conceição.
Enviado à PVDE pelo Comando da PSP de Faro, deu entrada na "Directoria" a 31-08-1938, recolhendo à 1.ª Esquadra.
O Registo Geral de Presos conclui assim: "em 25-09-1938 faleceu ao ser conduzido da 1.ª Esquadra para o Hospital de S. José". Dois meses nas mãos da PVDE, morreu com 62 anos de idade.

Joaquim Lemos de Oliveira

Barbeiro, de Fafe, preso diversas vezes pela PIDE. Condenado pelo Tribunal Plenário do Porto, cumpre medidas de segurança. É mais uma vez preso para as habituais "averiguações por crimes contra a segurança do Estado", recolhendo às "prisões privativas" da PIDE do Porto onde vem a falecer a 14 de fevereiro de 1957, com 49 anos de idade.

Joaquim Luís Teixeira de Magalhães

Data da morte:

Tendo exercido as profissões de canalizador, marítimo e serralheiro, é sucessivamente preso - pelo menos 8 vezes - por alegada "emigração clandestina", presumindo-se evidentemente o tratamento inflingido pela polícia política - faleceu no Hospital Curry Cabral no dia 20 de fevereiro de 1945, com a idade de 25 anos.

Joaquim Marreiros

Data da morte:

Grumete de manobras do "Bartolomeu Dias", acusado de "insubordinação" (Revolta dos Marinheiros), foi entregue à PVDE pelas autoridades de Marinha e condenado pelo TME na pena de 4 anos de prisão maior celular seguidos de 8 anos de degredo.
Em 18 de setembro de 1936, embarcou para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde irá falecer em 3 de novembro de 1948, com 38 anos.

Joaquim Montes

Data da morte:

Corticeiro e militante anarquista, participou na greve revolucionária de 18 de janeiro de 1934. Acusado de bombista e de ter provocado a paralização do trabalho em Almada, foi condenado pelo TME a 14 anos de degredo nas colónias, estando preso dois anos na Fortaleza de S, João Batista, em Angra do Heroísmo e quase 7 anos no Tarrafal, onde morreu em 14 de fevereiro de 1943, com 31 anos de idade.

José Adelino dos Santos

Data da morte:

Trabalhador rural e militante do Partido Comunista Português, preso em 1945 e 1949, foi assassinado pelos tiros disparados pela PIDE e pela GNR, em 23-06-1958, contra a manifestação de mais de 200 trabalhadores frente à Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, em protesto contra a fraude nas eleições presidenciais e reivindicando aumentos salariais.

José António Companheiro

Data da morte:
1945

Operário canteiro, de Borba, foi preso pela PVDE em 10-09-1941 e transferido para a Cadeia do Aljube e, em 1 de novembro, para Caxias, de onde sairá para a 1.ª Esquadra no dia 10 de janeiro de 1942, para ser condenado, nessa data, em TME na pena de 22 meses de prisão correcional. Em 25-05-1943, regressa ao Aljube, onde, no dia seguinte, baixa à enfermaria, recebendo alta a 07-06-1943, para ser "restituído à liberdade condicional". Morre em 1945, aos 24 anos, em consequência dos maus tratos sofridos na prisão.

José António Dias Coelho

Data da morte:

O escultor e dirigente clandestino do Partido Comunista Português José Dias Coelho foi assassinado por agentes da PIDE da brigada de José Gonçalves junto ao Largo do Calvário, em Lisboa - perseguiram-no, cercaram-no e dispararam dois tiros frente ao n.º 30 da rua da Creche (que hoje tem o seu nome): um tiro à queima-roupa, em pleno peito, deitou-o por terra e o outro foi disparado com ele já no chão. José Dias Coelho foi assassinado com 38 anos de idade.

José António Ribeiro Santos

Data da morte:

A 12 de outubro de 1972, realiza-se um “meeting contra a repressão” no ISCEF (atual ISEG), reunindo cerca de duas centenas de estudantes. Face ao aparecimento de um indivíduo desconhecido que não esclarece o que está ali a fazer, a direção da Associação e a Direção do Instituto acordam na vinda de elementos da DGS para identificação do desconhecido. A entrada dos elementos da DGS provoca indignação e alguns estudantes avançam contra eles. Um dos agentes, Gomes da Rocha, empunha a pistola e dispara contra Ribeiro Santos, atingindo-o nas costas. José Lamego, que tenta manietá-lo, é também atingido numa coxa. José António Ribeiro Santos é conduzido para o Hospital de Santa Maria, onde morre na Sala de Observações.
O seu funeral, dois dias depois, transforma-se numa imensa manifestação de protesto contra o fascismo e de resistência contra as forças policiais.
Quem o matou nunca foi sequer julgado. E o seu assassino foi um dos agentes da PIDE/DGS que, no dia 29-06-1975, fugiram da prisão de Alcoentre...

José Dias da Costa Pereira

Data da morte:

No 1.º de maio de 1931, em Lisboa, a repressão exercida pela  PSP e pela GNR, provocou dezenas de feridos e, pelo menos, 4 mortos, entre os quais José Dias da Costa Pereira, com a idade de 30 anos, servente de pedreiro da Câmara Municipal de Lisboa.

José Francisco Garcia

Data da morte:

O trabalhador José Francisco Garcia foi remetido à PVDE em 23-08-1940 pela autoridade administrativa do concelho de Coruche. Em 9 de setembro a polícia política enviou-o para o Hospital Miguel Bombarda, onde faleceu 1 ano depois, a 1 de setembro de 1941, com 25 anos. Na ficha do Registo Geral de Presos da PVDE, aparece escrito, a lápis, "maluco"... tentando assim esconder os maus-tratos que a polícia política lhe infligiu.

José Garcia Marques Godinho

José James Harteley Barnetto

Data da morte:

Fernando Luís Barreiros dos Reis participou na manifestação que exigiu a rendiçaõ da PIDE/DGS em 25 de abril de 1974. Os pides, entricheirados na sede, que os militares revoltosos não consideraram um objetivo, dispararam furiosamente a partir das varandas e das janelas do edifício sobre a multidão na rua, causando quatro mortos e dezenas de feridos. Perto das 20h30, Fernando Reis foi atingido mortalmente pelas balas assassinas da PIDE/DGS.

José Joaquim Viegas Fuzeta

Data da morte:

Marítimo, natural de Olhão, foi preso pela PVDE em 19-09-1939 e, pela segunda vez, em  29-02-1942, sendo transferido para a PVDE e dando entrada na Cadeia do Aljube. Seguem-se baixas à enfermaria até que, vítima dos espancamentos que sofreu, baixou ao Hospital de S. José, sendo depois internado no Hospital de D. Estefânia, onde morre em 5 de julho de 1942, com 45 anos de idade.

José Maires

Data da morte:

Com a profissão de empregado de comércio, deu entrada na Delegação do Porto da PVDE, vindo de Vila Real, em 25-08-1937. Foi mandado para o Aljube do Porto, "à disposição do Tribunal Militar Especial", que o condenou, em 27-08-1937, na pena de 6 anos de degredo "para qualquer parte do Território Colonial". No dia seguinte, é transferido para o Depósito de Presos de Peniche até ser entregue, em 20-10-1937, ao Tribunal da comarca de Vila Real, "a fim de ser julgado por um processo-crime". Regressa à Fortaleza de Peniche em 04-11-1937. A 03-02-1938, é transferido para a Cadeia do Aljube, em Lisboa, baixando à respetiva enfermaria no dia 25 do mesmo mês de fevereiro. A 29 de abril, é-lhe dada alta e é transferido para o Hospital Curry Cabral. Em 25-01-1939, regressa ao Aljube, baixando à enfermaria dois dias depois. Em 03-03-1939, é transferido para o Hospital de S. José e, em data desconhecida, é levado para o Hospital Curry Cabral, onde vai falecer em resultado dos maus tratos sofridos, no dia 3 de maio de 1939, com 26 anos de idade.

José Manuel Alves dos Reis

Data da morte:

Marceneiro e libertário, foi entregue à PVDE pelo Administrador do Concelho do Barreiro. Sem nunca sequer ser "julgado", segue para o Tarrafal a 5 de junho de 1927, vindo a morrer, no dia 11 de junho de 1943, com a idade de 49 anos, quando já  "dependia da ajuda dos companheiros, para se recostar nos travesseiros, para comer, para lhe lavarem a roupa, os pratos, as colheres".