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Os que ficaram pelo caminho

Nesta página pode aceder aos nomes de quantos, já devidamente identificados, ficaram pelo caminho, mortos em manifestações e protestos, sob tortura, nas cadeias, nos campos de concentração e como resultado direto dos maus-tratos sofridos à mão das várias polícias do fascismo.

A todos quantos possuam elementos que possam ajudar a aprofundar estes dados, muito agradecemoa que nos informem.

Raul Alves

Data da morte:

Operário soldador e militante comunista, foi preso pela PIDE a 16-07-1958, na sequência da greve e manifestações promovidas pelos trabalhadores da Companhia Industrial Portuguesa contra a burla eleitoral no mês anterior (as “eleições” presidenciais a que se apresentou Humberto Delgado tinham ocorrido a 8 de junho).
No dia 31 de julho de 1958, foi assassinado o operário de Vila Franca de Xira, Raul Alves, lançado do terceiro andar da sede da PIDE, com a idade de 44 anos.
Várias pessoas terão visto um homem pendurado na parte de fora de uma das janelas do edifício que, entre gritos lancinantes, acabou por cair. E, entre elas, a embaixatriz do Brasil, Heloísa Ramos Lins. Profundamente impressionada, informou o Cardeal Patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira, denunciando o ocorrido. Duas semanas depois, o Cardeal Cerejeira ter-lhe-á feito chegar a resposta do Ministério do Interior: "Não há motivo para ficar tão impressionada. Trata-se, apenas, de um comunista sem importância".


 

Rui Ricardo da Silva

Data da morte:

Carpinteiro, preso pela PVDE em 09-07-1936, "motivo comunista. Segue para Peniche e Caxias até ser levado para Angra do Heroísmo, onde é de novo condenado em TME, desta vez na pena de 4 anos e meio de prisão correcional e mais 156 dias da primeira condenação à revelia. Requer a sua transferência para o Continente, dado o agravamento do estado de saúde – é recusado e, por fim, autorizado “sem dispêndio para a Fazenda Nacional". Levado para o Aljube, baixou no dia seguinte ao Hospital de S. José, aí falecendo a 10-02-1938, com 21 anos, por notória recusa de assistência e em resultado dos maus tratos que sofrera anteriormente.

Senen Vasquez Albela ou Senen Galeano Mendez ou Senen Vasquez Abela

Imediatamente após o termo da Guerra Civil de Espanha, Senen Albela e os seus irmãos Pedro e José são presos pela PVDE, expulsos do país e, mais tarde, condenados em pesadas penas pelo TME ("8 anos de prisão maior celular, seguidos de 20 anos de degredo"). Entregue na Penitenciária de Lisboa.em 26-05-1941, aí vai falecer em 1956, com a idade de 38 anos.

Venceslau Ferreira Ramos

Data da morte:

Operário modelador, foi preso em Avintes, a 13 de maio de 1950, pela subdiretoria do Porto da PVDE.
Acusado dos habituais crimes contra a segurança do Estado, morre, nas instalações da polícia política no Porto, na rua do Heroísmo, escassos 9 dias após a sua prisão, vítima de tortura, no dia 22 de maio de 1950. Tinha 34 anos de idade.