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Os que ficaram pelo caminho

Nesta página pode aceder aos nomes de quantos, já devidamente identificados, ficaram pelo caminho, mortos em manifestações e protestos, sob tortura, nas cadeias, nos campos de concentração e como resultado direto dos maus-tratos sofridos à mão das várias polícias do fascismo.

A todos quantos possuam elementos que possam ajudar a aprofundar estes dados, muito agradecemoa que nos informem.

Manuel Pinto Ribeiro

Data da morte:

Padeiro de profissão, foi preso pela Delegação do Porto da PVDE em 18-04-1942, sob a acusação de "distribuir panfletos de propaganda subversiva". Sujeito a violentas torturas pela polícia, faleceu no Hospital de Sto. António no Porto em 11 de junho de 1943, com 26 anos de idade. Foi-lhe concedido um indulto 3 anos depois do seu assassinato!

Manuel Simões Júnior

Data da morte:
1946

Servente de eedreiro, foi preso em 02-03-1934, enviado para a Fortaleza de S. João Batista, em Angra do Heroísmo (durante 9 anos) e depois transferido para Peniche e Aljube, onde seria de novo violentamente torturado, baixando a respetiva enfermaria. Saíu em "liberdade condicional" 11 anos e meio após ter sido preso, falecendo no ano seguinte.
 

Manuel Valente

Data da morte:

Tenente-coronel de Infantaria, preso em 10-09-1935, na sequência do “Golpe do Comandante Mendes Norton”, apoiada pelo Movimento Nacional-Sindicalista, dirigido por Francisco Rolão Preto, é transferido de prisão em prisão (Aljube, Caxias, Angra do Heroísmo, Peniche) apesar do agravamento comprovado dos seus probelmas crónicos de saúde, regressando ao Aljube, para ser levado, no dia seguinte, para o Reduto Norte do Forte de Caxias, onde vai morrer em 29 de julho de 1937, com 53 anos de idade.

Manuel Vieira Tomé

Data da morte:

Empregado de escritório dos Caminhos de Ferro Portugueses e dirigente do Sindicato dos Ferroviários de Lisboa e diretor do "Ferroviário", seu órgão. Assinalado pelas polícias desde 1920. Adere ao PCP. Teve destacado papel na greve revolucionária de 18 de janeiro de 1934, acusado, designadamente, de ser um dos responsáveis pelo descarrilamento de um comboio na Póvoa de Santa Iria. Encarcerado na Prisão do Aljube, em Lisboa, foi torturado até à morte. Terá morrido 3m 23-04-1934, tinha 47 anos.

Maria de Lourdes Oliveira

Data da morte:

Assassinada a tiro pela GNR na repressão do protesto popular do povo de Lourosa, Santa Maria da Feira, contra a retirada do pároco da freguesia, Damião Olindo das Neves Basto.

Mário dos Santos Castelhano

Data da morte:

Destacado dirigente anarco-sindicalista, participou em movimentos insurreccionais contra a ditadura, foi preso e deportado por diversas vezes, condenado a 16 anos de degredo pelo TME, acabou por morrer no Tarrafal a 12 de outubro de 1940, com 44 anos.

Militão Bessa Ribeiro

Data da morte:

Dirigente do Partido Comunista Português, preso diversas vezes e enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, de onde regressou, foi de novo preso em 25 de março de 1949 e colocado em isolamento na Penitenciária de Lisboa, decidindo recorrer à greve da fome como protesto. Foi definhando, sem que a PIDE tomasse qualquer atitude. Na manhã do dia 2 de janeiro de 1950, Militão Ribeiro entrou em coma, falecendo nesse mesmo dia.

Paulo José Dias

Data da morte:

Fogueiro marítimo, libertário, foi preso em 7 de julho de 1939. Nuna foi julgado, sendo remetido, em 21 de junho de 1940, para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde faleceu, com 39 anos de idade, a 13 de janeiro de 1943.

Pedro de Matos Filipe

Data da morte:

Descarregador e militante libertário, foi preso na sequência da greve revolucionária do 18 de janeiro de 1934 e condenado em TME a 12 anos de degredo nas colónias. Seguiu para Angra do Heroísmo e, depois, para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde faleceu com 31 anos, em 20 de fevereiro de 1937, menos de 4 meses após a sua chegada, 

Porfírio Joaquim Catarino

Data da morte:

Jornaleiro, foi preso pela PVDE, em 26-10-1938, na sua terra natal, Carrazeda de Ansiães, por alegada “tentativa de alteração da ordem pública”, sendo transferido para a Cadeia Civil de Bragança apenas a 7 de novembro. Vítima da violência policial, vem a falecer na Cadeia Civil de Bragança no dia 17 de novembro de 1938, com 36 anos de idade.

Rafael Tobias Pinto da Silva

Data da morte:

Relojoeiro e, enquanto estudante, militante dos Grupos de Defesa Académica desde 1932, assegurava a sua ligação com o Comité Local de Lisboa do PCP. Preso por duas vezes em 1934, foi absolvido pelo TME e ... enviado para o Tarrafal. Menos de um ano depois, em grande sofrimento, faleceu com 26 anos de idade, no dia 22 de setembro de 1937.

Raul Alves

Data da morte:

Operário soldador e militante comunista, foi preso pela PIDE a 16-07-1958, na sequência da greve e manifestações promovidas pelos trabalhadores da Companhia Industrial Portuguesa contra a burla eleitoral no mês anterior (as “eleições” presidenciais a que se apresentou Humberto Delgado tinham ocorrido a 8 de junho).
No dia 31 de julho de 1958, foi assassinado o operário de Vila Franca de Xira, Raul Alves, lançado do terceiro andar da sede da PIDE, com a idade de 44 anos.
Várias pessoas terão visto um homem pendurado na parte de fora de uma das janelas do edifício que, entre gritos lancinantes, acabou por cair. E, entre elas, a embaixatriz do Brasil, Heloísa Ramos Lins. Profundamente impressionada, informou o Cardeal Patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira, denunciando o ocorrido. Duas semanas depois, o Cardeal Cerejeira ter-lhe-á feito chegar a resposta do Ministério do Interior: "Não há motivo para ficar tão impressionada. Trata-se, apenas, de um comunista sem importância".


 

Rosa Morgado

Data da morte:
1943

Camponesa, é morta em 1943 pela GNR no lugar do Gravanço, perto do Ameal, em Águeda. E os seus filhos, António, Júlio e Constantina

Rosa Vilar da Silva

Data da morte:

Com 18 anos. Assassinada com um tiro na cabeça pela GNR na repressão do protesto popular do povo de Lourosa, Santa Maria da Feira, contra a retirada do pároco da freguesia, Damião Olindo das Neves Basto.

Rui Ricardo da Silva

Data da morte:

Carpinteiro, preso pela PVDE em 09-07-1936, "motivo comunista. Segue para Peniche e Caxias até ser levado para Angra do Heroísmo, onde é de novo condenado em TME, desta vez na pena de 4 anos e meio de prisão correcional e mais 156 dias da primeira condenação à revelia. Requer a sua transferência para o Continente, dado o agravamento do estado de saúde – é recusado e, por fim, autorizado “sem dispêndio para a Fazenda Nacional". Levado para o Aljube, baixou no dia seguinte ao Hospital de S. José, aí falecendo a 10-02-1938, com 21 anos, por notória recusa de assistência e em resultado dos maus tratos que sofrera anteriormente.

Senen Vasquez Albela ou Senen Galeano Mendez ou Senen Vasquez Abela

Imediatamente após o termo da Guerra Civil de Espanha, Senen Albela e os seus irmãos Pedro e José são presos pela PVDE, expulsos do país e, mais tarde, condenados em pesadas penas pelo TME ("8 anos de prisão maior celular, seguidos de 20 anos de degredo"). Entregue na Penitenciária de Lisboa.em 26-05-1941, aí vai falecer em 1956, com a idade de 38 anos.

Venceslau Ferreira Ramos

Data da morte:

Operário modelador, foi preso em Avintes, a 13 de maio de 1950, pela subdiretoria do Porto da PVDE.
Acusado dos habituais crimes contra a segurança do Estado, morre, nas instalações da polícia política no Porto, na rua do Heroísmo, escassos 9 dias após a sua prisão, vítima de tortura, no dia 22 de maio de 1950. Tinha 34 anos de idade.

Vítor Agostinho Pedroso Leitão

Data da morte:
1966

Sapateiro, 42 anos, morre em 1966 vítima de tortura, pouco tempo após ter sido libertado da prisão do Forte de Peniche

Vítor da Conceição

Data da morte:

"Estamos hoje precisamente a 8 de maio, data inesquecível para todos os presos que se encontram nas salas do Aljube, 
foi precisamente o dia em que faleceu, sem assistência médica, o infeliz companheiro
Vítor da Conceição. Contribuiu em grande parte para a morte deste camarada o facto de ele não poder comer o rancho e não ser permitido entrar nesta Cadeia quaisquer outros alimentos, nem ao menos ovos ou leite, só quem se encontrava em sua companhia pode avaliar do sofrimento deste grande amigo e do estado de fraqueza em que se encontrava!... E, por mais reclamações que os seus companheiros fizessem, nada era atendido pelo Director da prisão, tenente Antão Nogueira."

António Gato Pinto, 8 de maio de 1934