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Acácio Tomás de Aquino

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Data da primeira prisão

Destacado militante e dirigente anarcossindicalista, que se bateu contra a ditadura fascista e foi condenado ao degredo no Campo de Concentração do Tarrafal, onde ficou 12 anos.
Acácio Tomás de Aquino nasceu em Alcântara, Lisboa, a 9 de novembro de 1899. Oriundo de uma família operária, foi pedreiro da construção civil, trabalhador da Câmara Municipal de Lisboa [1918] e ferroviário [1926-1933]. Ainda muito jovem, já militava na corrente anarcossindicalista. Pertenceu às Juventudes Sindicalistas e à CGT, onde desempenhou funções relevantes. Associado do Sindicato dos Metalúrgicos, dos Trabalhares do Município e da Construção Civil, foi secretário da Federação dos Sindicatos da Construção Civil e da Confederação Geral do Trabalho, entre 1919 e 1933. Em agosto de 1923, foi preso por distribuir manifestos em Lisboa. Casou, a 16 de fevereiro de 1927, com Maria Antónia Carreto, de quem teve filhos.
A partir do Golpe de Estado do 28 de maio de 1926, passou à semiclandestinidade. No 18 de Janeiro de 1934 fazia parte do comité de ação da CGT que decretou a greve geral revolucionária. Porém, não iria poder participar no acontecimento por ter sido preso a 11 de dezembro de 1933, sob a acusação de tentar fornecer bombas e explosivos a outros militantes insurrecionais. Pelo facto foi condenado pelo Tribunal Militar Especial, em 9 de março de 1934, a 12 anos de degredo em “colónia à escolha do Governo”. Em 8 de Setembro desse ano foi enviado para a fortaleza de Angra de Heroísmo, de onde foi transferido para o Campo de Concentração do Tarrafal, em 23 de outubro de 1936. No Tarrafal assume um papel ativo na Organização Libertária Prisional
Em 31 de Dezembro de 1945 é posto em liberdade condicional, por um prazo de 3 anos, mas com residência fixa em Cabo Verde. Regressou a Portugal a 10 de novembro de 1949, sendo-lhe determinada a obrigatoriedade de apresentação mensal na PIDE. Só a 22 de novembro de 1952 é que lhe foi concedida a liberdade definitiva. 
Após o 25 de Abril, Acácio Tomás de Aquino participou no renascer do movimento libertário em Portugal. Fundou o "Centro de Estudos Libertários" foi um dos principais impulsionadores da publicação do jornal A Batalha, colaborou em diversas organizações e jornais libertários, como "O Construtor", "A Batalha" ou a "Voz Anarquista".
Publicou em 1978 O Segredo das Prisões Atlânticas, sobre as suas experiências na prisão de Angra do Heroísmo e no Tarrafal. Neste livro aborda as divergências entre anarquistas e comunistas, transcrevendo correspondência entre a Organização Comunista Prisional e a Organização Libertária Prisional. Colaborou ainda no volume coletivo O 18 de Janeiro e Alguns Antecedentes, Lisboa, A Regra do Jogo, 1978.
Morreu em Lisboa, com quase 100 anos, a 30 de novembro de 1998. Estava casado com a militante anarquista Luísa do Carmo Franco Elias Adão (1914-1999).