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Alfredo Assunção Diniz

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Data da primeira prisão

Alfredo Diniz nasceu em Lisboa em 29-03-1917, filho de João Lobato Diniz e de Carolina da Assunção Diniz.
Operário metalúrgico, ingressou, ainda adolescente, nos Estaleiros Navais da Parry & Son, onde, depois de terminar o curso noturno de desenhador, desempenhou funções de traçador naval.
Em 1936, com 19 anos, estava já envolvido nas lutas laborais e aderiu à Federação das Juventudes Comunistas, tendo-se tornado membro do Partido Comunista Português e assumido tarefas no Socorro Vermelho Internacional. 
Em 25 de agosto de 1938, foi preso pela PVDE por “atividade revolucionária”, recolhendo a uma esquadra incomunicável. Em 14 de setembro, é enviado para a 1.ª Esquadra e, em 29 do mesmo mês, foi transferido para o Reduto Norte do Forte de Caxias.
Regressa à 1.ª Esquadra em 8 de março de 1939, sendo condenado em Tribunal Militar Especial na pena de 15 meses de prisão correcional e na perda de direitos políticos por 5 anos.
Segue depois, em 21 de março, para o depósito de Presos de Peniche e vai ser "restituído à liberdade" em 26 de novembro de 1939.
Após a sua libertação, participou na reorganização do PCP em 1940-1941 e foi responsável pela célula da Parry & Son e pelo Comité Local do PCP em Almada. Participou ativamente nas greves, manifestações e marchas da fome da primeira metade da década de 40. Foi no decorrer de muitas destas lutas que se distinguiu pela sua capacidade de organização e dinamização. Foi um dos impulsionadores do movimento grevista de outubro e novembro na região de Lisboa em 1942. Já como membro do Comité Regional de Lisboa, voltou a ter papel muito ativo nas greves de julho e agosto de 1943 na região de Lisboa, margem sul do Tejo e Ribatejo, na sequência das quais passou à clandestinidade, onde usou o pseudónimo “Alex”.
Ainda em 1943 foi eleito no III Congresso do PCP (I Congresso ilegal), realizado em Novembro de 1943, no Monte do Estoril, para o Comité Central do PCP, passando a fazer parte do respetivo Bureau Político. Fez parte do Comité Organizador das greves de 8 e 9 de maio de 1944 que incidiram particularmente no corredor industrial da margem norte do Tejo e Ribatejo. Em 1945, pouco antes de ser morto, foi eleito para a Comissão Política e estaria envolvido na organização das manifestações de celebração do fim da II Guerra Mundial.
Viria a ser assassinado pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) com apenas 28 anos, numa estrada em Bucelas, quando se dirigia de bicicleta para um encontro clandestino. Uma brigada da PVDE, composta por José Gonçalves, Fernando Gouveia e outros, escondidos atrás de uma furgoneta esperaram silenciosamente que Alfredo Diniz de aproximasse. Um dos pides saltou detrás da furgoneta e com um encontrão fê-lo cair na beira da estrada. Quando se levantou, estava cercado. Um tiro deitou-o por terra. Terá sido posteriormente baleado no interior da referida carrinha e, já morto, deixado na beira da estrada. Foi assassinado na manhã de 4 de julho de 1945.