Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos

António Agostinho Neto

002694
Data da primeira prisão

António Agostinho Neto nasce a 17 de setembro de 1922 em Caxicane, freguesia de S. José, concelho de Icolo e Bengo, Distrito de Luanda, filho de um catequista da Missão americana em Luanda e de uma professora.

Em 1937, os seus pais mudam-se para Luanda, onde Agostinho Neto frequenta o Liceu Salvador Correia.

Em 1944, embarca para Portugal, a fim de frequentar a Faculdade de Medicina de Coimbra.

Participa nas atividades da secção de Coimbra da Casa dos Estudantes do Império.

Funda em Coimbra, com Lúcio Lara e Orlando de Albuquerque a revista Momento, na qual colabora.

Em 1948, recebe uma bolsa de estudos dos Metodistas americanos, transferindo-se para a Faculdade de Medicina de Lisboa.

Participa no MUD Juvenil e, com Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade, Marcelino dos Santos e Francisco José Tenreiro, envolve-se na fundação do Centro de Estudos Africanos, que tinha finalidades culturais e políticas orientadas para a afirmação da nacionalidade africana.

Na mesma linha de atuação, dinamizam a intervenção no Clube Marítimo Africano, em Lisboa, permitindo assegurar as ligações com os seus compatriotas e companheiros.

A 23 de março de 1952 é preso pela PIDE, em Lisboa, quando recolhia assinaturas para a conferência Mundial da Paz de Estocolmo. Em fevereiro de 1955 é novamente detido pela PIDE e condenado a dezoito meses de prisão.

Entretanto, resultante da confluência de vários movimentos independentistas, é fundado o MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola, cujo manifesto recolhe, nomeadamente, a intervenção de Viriato da Cruz e de Mário Pinto de Andrade.

Saído da prisão em julho de 1957, Agostinho Neto obtém a licenciatura em Medicina a 27 de outubro do ano seguinte e, no mesmo dia, casa com Maria Eugénia Silva.

Toma parte na organização do Movimento Anticolonialista (MAC), que congregava patriotas das diversas colónias portuguesas para uma acção revolucionária conjunta.

Entretanto, em Luanda, em março e julho de 1959 registam-se inúmeras prisões de patriotas angolanos, que serão condenados a pesadas penas (o designado «Processo dos 50»), evidenciando o terror policial do colonialismo.

A 22 de dezembro de 1959, acompanhado da mulher e do filho de tenra idade, regressa a Luanda, onde abre um consultório médico. A PIDE prende-o a 8 de junho do ano seguinte, provocando protestos junto do seu consultório médico e na sua aldeia, violentamente reprimidos pela polícia. É enviado para Lisboa, permanecendo preso na cadeia do Aljube até ser deportado para o arquipélago de Cabo Verde, onde fica instalado na Vila de Ponta do Sol, na ilha de Santo Antão, transitando depois para a ilha Santiago até Outubro de 1962, em que é feito regressar de novo ao Aljube, em Lisboa, onde permanecerá até março de 1963.

A 4 de fevereiro de 1961, patriotas angolanos assaltam as cadeias de Luanda, seguindo-se uma forte repressão, que se prolonga nos dias seguintes. A luta armada contra o colonialismo ganha novo impulso com a insurreição desencadeada no norte de Angola a partir de 15 de março.

Internacionalmente, são desencadeadas campanhas de solidariedade com os presos angolanos e, designadamente, em defesa de Agostinho Neto.

Solto da prisão, é-lhe fixada residência em Lisboa. Com apoio do PCP e do médico Arménio Ferreira, evade-se, a 30 de junho de 1962, de barco para Marrocos com sua mulher e os dois filhos, dirigindo-se depois para Léopoldville (Kinshasa), onde o MPLA tinha a sua sede no exterior.

A I Conferência Nacional do MPLA, realizada na Argélia, em dezembro de 1962, elege Agostinho Neto, Presidente do Comité Diretivo do partido, que inclui Matias Migueis, Rev. Domingos da Silva, Manuel Lima, Mário de Andrade, Lúcio Lara, Aníbal de Melo, Deolinda Rodrigues, Desidério da Graça e Iko Carreira.

Em 1963, o MPLA instala-se em Brazaville em consequência da sua expulsão do Congo (Rep. do Zaire) que passou a dar o apoio total à FNLA.

A luta armada desenvolvida pelo MPLA prossegue, com abertura de novas frentes em Cabinda e no Leste de Angola.

Em 1970, Agostinho Neto é galardoado com o prémio Lotus, atribuído pela 4ª Conferência dos Escritores Afro-Asiáticos.

As guerras de libertação conduzidas na Guiné-Bissau, Angola e Moçambique são determinantes para o desencadeamento do movimento militar de 25 de abril de 1974.

Em Angola, o cessar-fogo só é assinado pelo MPLA após Portugal reconhecer o direito das colónias à independência.

A 15 janeiro de 1975, chefia a delegação do MPLA que participa nos designado Acordos de Alvor, em que é acordado estabelecer um «governo de transição» em Angola, que inclui Portugal, a FNLA, o MPLA e a UNITA.

A 4 de fevereiro de 1975, Agostinho Neto regressa a Luanda.

Em Angola tem início uma violenta guerra civil, que envolve os três movimentos e que dá lugar à intervenção de forças armadas estrangeiras, designadamente da África do Sul, Cuba e União Soviética.

A 11 de novembro de 1975, proclama a independência da República Popular de Angola, continuando Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola e Presidente do MPLA.

Como Presidente de Angola e do MPLA atravessou um período conturbado, em que a sua ação foi frequentemente contestada pela repressão exercida contra os seus críticos.

Poeta reconhecido, foi membro fundador da União dos Escritores Angolanos, eleito pelos seus pares seu primeiro Presidente, em dezembro de 1975. Foi também o primeiro Reitor da Universidade Agostinho Neto.

Faleceu a 10 de Setembro de 1979, em Moscovo.