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António de Assunção Tavares

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Data da primeira prisão

Natural de Vila Franca de Xira, filho de Manuel Tavares e de Rosa d'Assunção Tavares, nasceu a 10 de fevereiro de 1922.
Quando concluiu a instrução primária, António de Assunção Tavares empregou-se na fábrica Cimentos Tejo, em Alhandra, propriedade de Henrique Sommer e dirigida, a partir dos anos 40 por seu sobrinho, António Champalimaud.
No final dos anos 30, António de Assunção Tavares é recrutado para a Federação da Juventude Comunista Portuguesa.
Segundo o testemunho de António Dias Lourenço, aquele operário “foi um dos organizadores e activistas das greves e 8 e 9 de maio de 1944” na Margem Norte (Sacavém, Alhandra, Santa Iria e Póvoa)
Foi preso pela GNR logo em 10 de maio de 1944, com muitos outros manifestantes e encerrado, primeiro, na Praça de Touros de Vila Franca e, depois, na do Campo Pequeno, antes de ser enviado para o Depósito de Presos de Caxias, de onde será libertado em 28 de outubro. Submetido a violentas torturas e maus-tratos, começa a debater-se com graves problemas de saúde.
Após a sua libertação, passa à clandestinidade sob o pseudónimo de Tomé e, em maio de 1945, está à frente da organização das Grandes Marchas da Vitória contra o Fascismo, por ocasião da derrota do nazifascismo na II Grande Guerra. 
Menos de um ano depois, a 23 de agosto de 1945, é entregue à PVDE pela Polícia de Viação e Trânsito de Algés e enviado para a Penitenciária de Lisboa, sendo transferido para a Cadeia do Aljube em 12 de outubro e daí para Caxias em 17 de novembro seguinte.
Na prisão, a polícia negara-se a prestar-lhe assistência médica ou medicamentosa, recusando mesmo a devolução dos medicamentos que tinha quando foi preso, por alegadamente pertencerem à organização subversiva PCP…
O Tribunal Militar Especial, entretanto extinto, solicita, a 10 de janeiro de 1946, que o preso seja posto à disposição do juiz de turno dos Tribunais da Comarca de Lisboa (a alteração legislativa entretanto ocorrida substituíra o TME pelos Tribunais Plenários), sendo posto em liberdade em 29 de março de 1946, “por ter prestado a fiança que lhe foi arbitrada” e, sobretudo, para que a sua morte não ocorresse na prisão.
Após sair da cadeia, António Tavares estava muito debilitado, recolhendo a casa dos seus pais, onde viria a morrer a 1 de Fevereiro de 1951, com 29 anos de idade.
O seu funeral constituiu uma grande manifestação popular anti-fascista em Vila Franca de Xira.