Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos

Aurélio Monteiro dos Santos

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Data da primeira prisão

Antifascista militante desde jovem e dirigente do PCP, Aurélio Santos esteve activamente presente nas lutas académicas, no MUD Juvenil, em festivais da juventude no país e no estrangeiro. Mas foi pela sua inconfundível voz na Rádio Portugal Livre, que ficou conhecido na Resistência. Era a voz do Partido Comunista, que, pela radio, difundia informação das lutas travadas diariamente contra a ditadura, nas condições mais adversas, bem como palavras de ordem e a orientação do partido. Foi, durante décadas, uma voz escutada por milhares de portugueses. Era um homem de rara qualidade humana e de excepcional cultura.

Aurélio Santos nasceu em Vilar de Torpim, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda, em 1930. Desde muito jovem participou na luta antifascista. Como estudante da Faculdade de Medicina de Lisboa, cujo curso frequentou até ao 4º ano, participou activamente no movimento estudantil e integrou a direcção da revista Medicina (1952/1953).

De 1950 a 1953 foi dirigente associativo estudantil e de 1951 a 1957 dirigente do MUD Juvenil. Frequentou, até ao 4º ano, a Faculdade de Medicina, na Universidade de Lisboa, fazendo parte da Associação de Estudantes, da qual chegou a ser dirigente.

Foi preso em 1953, na sequência da sua militância no Movimento de Unidade Democrática Juvenil. Por ocasião da realização do terceiro Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, realizado na Roménia (1953), o MUD Juvenil organizou a ida de uma delegação a Bucareste e Aurélio Santos integrou-a, chefiando-a. (Representou também o MUD Juvenil no Congresso da União Internacional dos Estudantes – UIE). O Festival foi em Agosto e, no regresso, ainda prosseguiu estudos e actividades associativas, mas em Dezembro de 1953 foi preso, levado para o Aljube e depois para Caxias. Dali foi enviado para a sede da PIDE no Porto.

Esteve preso de 1953 a 1955 e, em 1955, entrou para o Partido Comunista Português. Desde então, durante mais de 60 anos, conviveu e lutou ao lado de sucessivas gerações de comunistas e de outros antifascistas, dando o melhor de si, revelando qualidades raras de humanidade, sensibilidade, abertura aos outros, mesmo àqueles que não partilhavam com ele os ideais marxistas-leninistas.

Em 1957 entrou para a clandestinidade como funcionário do PCP. Foi director da Rádio Portugal Livre de 1963 a 1974, durante quase todo o período de existência dessa rádio clandestina do PCP. Em 1965, no VI Congresso do PCP, entrou para o Comité Central.

Regressou do exílio em 15 de Maio de 1974, vindo da Roménia e ficou a viver em Lisboa.

Depois do 25 de Abril, foi responsável pela Secção Internacional do PCP de 1974 a 1975.

Em 1974 fez parte da Comissão de Programas da RTP, e mais tarde, do Conselho de Imprensa, de 1976 a 1979.

No PCP foi responsável pela Secção de Informação e Propaganda do Comité Central do PCP, de 1976 a 1984; foi membro da DOR Lisboa e do seu Executivo, e responsável pelo Sector de Artes e Letras de 1984 a 1988; membro da Comissão Executiva Nacional de 1990 a 1992 e membro da Comissão Central de Controlo.

Teve um papel importante na formação de quadros do PCP (e no trabalho diário em várias frentes), e esteve ligado a grandes realizações deste partido. O seu nome é considerado «parte integrante da história do Partido» e «um dos seus mais destacados construtores».

Eleito membro do Comité Central do VI Congresso, em 1965, veio a ser reeleito sucessivamente para o CC até ao XVI Congresso. Neste último foi eleito para a Comissão Central de Controlo e reeleito para o mesmo cargo em 2004, no XVII Congresso.

Integrou a Comissão junto do Comité Central para a cultura literária e artística e a Direcção da Festa do «Avante!».

Foi durante vários, e até recentemente, um destacado dirigente da URAP, apesar de ter sido atingido por uma cegueira progressiva.

Morreu a 30 de Setembro de 2017.