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Francisco Domingues Quintas

Data da primeira prisão

O início da Guerra Civil de Espanha, entre 17 e 20 de julho de 1936, colocou nas mãos dos militares sublevados a cidade e base naval de Ferrol, na Galiza (de onde era, aliás, natural o próprio Franco). 
Os fascistas iniciaram de imediato a perseguição aos seus opositores, dando pleno cumprimento às instruções do General Mola, datadas de 19 de julho: Es necesario crear una atmósfera de terror, hay que crear sensación de dominio eliminando sin escrúpulos ni vacilación a todos los que no piensen como nosotros. Tenemos que causar una gran impresión, todo aquel que sea abierta o secretamente defensor del Frente Popular debe ser fusilado.
Vivia então em Ferrol o português Francisco Domingues Quintas, industrial talhante, de orientação socialista. natural de Grijó, onde nasceu a 30 de abril de 1890, filho de Maria Joaquina Rivéra e de pai incógnito. Francisco Quintas foi eleito (em 20 de julho de 1926) tesoureiro da Sociedad de Oficios Varios, de La Graña, aí desenvolvendo a sua atividade sindical.
Com ele, viviam os seus dois filhos, Patrício Domingues Quintas e Domingo Domingues Quintas – todos foram rapidamente entregues (em 28 de agosto), no posto fronteiriço de Valença, à Guarda Fiscal e à PVDE, que logo os identificou como tendo tomado “parte ativa no movimento revolucionário comunista”, ou seja, nas ações de resistência ao avanço fascista em, defesa do Governo legal de Espanha.
Recolheram à Cadeia da Comarca de Valença e, a 5 de setembro, foram transferidos para a Delegação da PVDE no Porto e de seguida para o Reduto Norte da Cadeia de Caxias.
A 17 de outubro de 1936, Francisco Quintas integrou, com os seus dois filhos, o primeiro grupo de presos que embarcou para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde.
Padecendo de febre palustre e sem qualquer tratamento médico e medicamentoso, Francisco Quintas viria a falecer no Tarrafal, aos 47 anos de idade, a 22 de setembro de 1937, menos de um ano depois de ter dado entrada no campo da morte lenta.
Os filhos permaneceram no Tarrafal, só sendo finalmente libertados em 1 de fevereiro de 1946.