Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos

Joaquim da Rocha Pinto de Andrade

014707
Data da primeira prisão

Filho de Maria Joaquina Pinto da Rocha e de José Cristino Pinto de Andrade, Joaquim da Rocha Pinto de Andrade nasce a 22 de Julho de 1926 no Golungo Alto, província do Cuanza Norte. Aos 13 anos, acompanhado pelo irmão Mário, dois anos mais novo, Joaquim ingressa no Seminário Católico de Luanda. Concluído o curso em 1947, Joaquim é colocado como professor no Seminário de Malange, onde permanece até Setembro de 1948. Parte depois para Roma onde, em 1952, é ordenado padre e conclui os seus estudos: licenciatura em Teologia e bacharelato em Filosofia. Em 1956 – nesse período de ausência de Angola relatado pelo Inspector Martines – Joaquim Pinto de Andrade é um dos quatro participantes das colónias portuguesas no 1.º Congresso dos Escritores e Artistas Negros, realizado em Paris, juntamente com o angolano Manuel dos Santos Lima e o moçambicano Marcelino dos Santos, além do seu irmão Mário. Em 1958, Joaquim Pinto de Andrade é designado chanceler da Arquidiocese de Luanda, continuando como professor dos seminários Menor e Maior e exercendo funções de secretário da Câmara Eclesiástica.

Apoia os presos do chamado «Processo dos 50», dinamizando a recolha de donativos para presos e famílias e divulgar informação sobre os presos, nomeadamente durante o Congresso da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que decorreu em Luanda em Novembro/Dezembro de 1959.

Em 25 de Junho de 1960 dá-se, para Joaquim Pinto de Andrade, a primeira de uma longa série de prisões. Enviado para a cadeia do Aljube, em Lisboa, onde passa cinco meses incomunicável, é deportado em Novembro para a Ilha do Príncipe, voltando ao Aljube em Abril de 1961, após o início da luta armada de libertação em Angola.

Em 1962, o MPLA nomeou-o Presidente honorário do Partido.

Sucedem-se períodos de residência fixa em mosteiros, alternando com períodos de prisão – Cadeia do Porto, Aljube, Caxias, até que após a visita do Papa Paulo VI a Portugal, é autorizado a escolher um local de residência. Fixa-se em Lisboa, onde frequenta a Faculdade de Direto, até ser de novo preso, em Abril de 1970, sendo então finalmente julgado no Tribunal Plenário de Lisboa, que o condena a três anos de prisão maior e perda de direitos políticos por 15 anos e medidas de segurança de períodos prorrogáveis de 6 meses a 3 anos.

Na cadeia do Forte de Peniche, onde cumpre pena, pede a redução ao estado laico e casa-se, a 27 de Novembro de 1971, com Vitória de Almeida e Sousa. Sai em liberdade a 7 de Abril de 1971.

Após a independência de Angola, é convidado para Director do novo Instituto de Investigação Pedagógica, mas é afastado no decurso das divisões políticas que marcaram o partido no poder. Casado, pai de família, mantém, a par com a actividade profissional, militância em organizações católicas e, após 14 anos de apagamento político, volta a ressurgir em 1990, na formação da Associação Cívica Angolana. Cidadão empenhado até ao fim, com uma breve passagem por um partido político de oposição, o Partido Renovador Democrático, morre a 23 de Fevereiro de 2008.