Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos

Joaquim Monteiro Matias

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Data da primeira prisão

Joaquim Monteiro Matias nasceu a 1 de Setembro de 1938 no Casal da Ponte Nova (Batalha).

Estudou no liceu Rodrigues Lobo, em Leiria, até ao 5º ano e completou o ensino liceal no Liceu Camões, em Lisboa. Em 1957 matriculou-se na Faculdade de Direito, vindo a licenciar-se em 1962 com elevada classificação. Fez o estágio para a advocacia que concluiu em Junho de 1964 e passou logo a advogar em defesa dos presos políticos no Tribunal Plenário da Boa Hora. Começou aí a denúncia corajosa, no tribunal, dos crimes da PIDE nos interrogatórios, bem como das arbitrariedades dos juízes.

Quando alguns dirigentes da FAP (Frente de Acção Popular) e do Comité Marxista-Leninista Português foram detidos, Joaquim Matias usou a condição de advogado para manter a ligação entre os referidos presos e os militantes daquelas organizações.

Viria a ser preso pela PIDE em 23 de Julho de 1967, acusado de ligações à FAP e foi condenado no Tribunal Plenário a 2 anos e 8 meses de prisão maior e medidas de segurança de internamento prorrogáveis, que cumpriu parte na Cadeia do Forte de Peniche, de onde saiu no dia 26 de Janeiro de 1971 em regime de liberdade condicional.

Algum tempo depois retomou em Lisboa o exercício da advocacia, centrada agora na defesa nos tribunais do trabalho, dos trabalhadores associados dos sindicatos que o haviam contratado para esse efeito, como, por exemplo o Sindicato do Comércio.

Publicou um livro de poemas da sua juventude, significativamente intitulado «Rio do Meu Regresso» e em 2013 publicou o livro autobiográfico «Memórias de tortura e Resistência». É um livro com uma experiência de vida bastante rica, o relato de um advogado na revolução e na luta antifascista.

Foi um dos antifascistas entrevistados para o programa da Antena 1, «No limite da dor».