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José Alves Tavares Magro

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Data da primeira prisão

Coragem e abnegação. Uma vida dedicada à causa da Liberdade e da Democracia. Passou 21 anos nas prisões fascistas.

José Alves Tavares Magro nasceu em Alcântara, Lisboa, a 27 de março de 1920. Ainda estudante, aderiu ao Partido Comunista Português em 1940, cujo quadro de funcionários clandestinos integrou desde 1945. Em 1946, está entre os militantes que participam no IV Congresso do PCP.
Pouco depois, foi destacado para funcionário do Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF), tarefa que assegurou durante três anos. No cumprimento dessas tarefas, deslocou-se para o Norte do País, de forma a assegurar um contacto regular com o presidente do Conselho Nacional do MUNAF, general Norton de Matos, que residia em Ponte de Lima. 
Em 1949, José Magro reingressou no quadro de funcionários do PCP e integrou a direção da organização do Porto. Mas devido à vaga de prisões ocorrida nesse ano – Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro, Sofia Ferreira, António Dias Lourenço, Georgete Ferreira, entre outros – voltou para Lisboa, tendo como tarefa principal assegurar o controlo, na organização do PCP, do conjunto de empresas dos arredores de Lisboa. Por essa altura, foi cooptado para membro suplente do Comité Central do PCP. Em janeiro de 1951 seria preso pela primeira vez. 
Submetido às mais violentas torturas, recusou-se sempre a prestar declarações. Libertado em fevereiro de 1957, regressou à clandestinidade, desenvolvendo a sua atividade primeiro no Norte e novamente em Lisboa, desta vez na preparação das «eleições» presidenciais de 1958 (Arlindo Vicente e Humberto Delgado). No ano anterior, no V Congresso do PCP, fora eleito para o respetivo Comité Central. 
Novamente preso em 1959 e novamente barbaramente torturado, José Magro manteve a sua postura firme perante os carcereiros. Em 4 de dezembro de 1961 está entre os participantes na fuga de Caxias no carro blindado que pertencera a Salazar – de que foi o principal organizador. 
De volta à liberdade, regressa também à luta, assumindo um papel destacado na grande jornada de luta de 1.º de Maio de 1962. Mas seria novamente preso, em 24 de maio de 1962, só saindo da prisão no dia 27 de abril de 1974. Tinha, então, 54 anos – 21 dos quais passados na prisão.
Resistiu sempre aos brutais interrogatórios a que foi submetido pelos torcionários da PIDE, que encarava como uma batalha com o inimigo, uma batalha que travava «com serenidade». Nas suas Cartas da Prisão fala da sua alegria e do seu orgulho após cada uma dessas batalhas: «A alegria e o orgulho de (obter) vitórias sucessivas sobre torturadores profissionais». E acrescentava: «A minha serenidade reside só na consciência de ser capaz de sofrer por muito tempo, ou de morrer mais ou menos depressa, pelos interesses da minha gente». 
Depois do 25 de Abril, foi membro da Direção da Organização Regional de Lisboa do PCP e deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República. Foi reeleito para o Comité Central do PCP em todos os congressos, até à sua morte em fevereiro de 1980.
Aida Magro (1918- 2011), com quem casou, foi a sua companheira de sempre. 
Em 2007, o PCP publicou o livro Cartas da Clandestinidade, da sua autoria.