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José Moreira

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Natural de Vieira de Leiria, Marinha Grande, nasceu em 12-10-1912, filho de Manuel Moreira e de Guilhermina de Jesus.
Serralheiro de profissão, foi trabalhar ainda muito jovem como operário vidreiro para a Marinha Grande.
Militante do Partido Comunista Português, o “camarada Lino” passou à clandestinidade em 1945, assumindo a responsabilidade pelo aparelho técnico do PCP, o que implicava um conjunto muito diversificado de tarefas, que exigiam coragem, elevado espírito de sacrifício, uma rígida observância dos cuidados conspirativos e, também, uma grande capacidade criativa.
Essas tarefas abrangiam, designadamente, adquirir o papel e as tintas necessárias, fazendo a sua distribuição pelas várias tipografias, ir buscar os textos elaborados pela Direção do PCP, entregando-os a essas tipografias, distribuir pelas organizações partidárias os documentos impressos – tarefas em que José Moreira, deslocando-se de bicicleta, chegava a percorrer 2500 quilómetros por mês, dando ainda o seu apoio e estímulo aos diferentes quadros clandestinos que, em grande isolamento, trabalhavam nas diversas tipografias.
A verdade é que, no período entre 1945 e 1949, o aparelho repressivo fascista não conseguiu localizar e assaltar uma única tipografia clandestina.
No dia 22 de janeiro de 1950, José Moreira, que usava o nome falso de José Mendes Oliveira, foi detido com a sua companheira numa casa clandestina em Vila do Paço, Torres Novas, onde foram apreendidas duas armas de fogo e numerosos exemplares de imprensa e propaganda clandestinas.
A polícia política sujeitou-o de imediato a violentas torturas que lhe provocaram a morte, aos 37 anos de idade.
Com o intuito de esconder o crime, a PIDE procedeu à usual encenação do suicídio, atirando o corpo do militante comunista de uma janela do 3.º andar da António Maria Cardoso – como noticiou na primeira página o avante! de agosto de 1950, "o seu corpo, horrivelmente massacrado, deu entrada na morgue sob o pretexto de queda duma janela".