Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos

Luís Ernani Dias Amado

020013
Data da primeira prisão

Professor catedrático, médico analista e investigador. Destacado antifascista, muito activo politicamente, desde jovem, foi um dos fundadores da União Socialista e empenhou-se activamente no Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF) e no Movimento de Unidade Democrática (MUD).

Foi preso por diversas vezes e afastado da docência na Universidade, por deliberação de Salazar. Prestigiado cientista, deixou uma vasta obra publicada.

Luís Dias Amado nasceu na freguesia de S. Paulo, em Lisboa, a 19 de Janeiro de 1901 e faleceu na mesma cidade no dia 22 de Janeiro de 1981, com 80 anos. Aos 18 anos, alistou-se no Batalhão Académico que iria participar na investida contra os monárquicos instalados em Monsanto. Ainda enquanto estudante foi um dos fundadores e dirigentes da Liga da Mocidade Republicana. Em 1924, licenciou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, iniciando funções de 2.º Assistente de Histologia (até 1943). Em 1937 é assistente dos Serviços de Análises Clínicas dos Hospitais Civis de Lisboa. Após doutoramento, exerceu funções de 1.º Assistente de Histologia. Até 1947 ensinou na Faculdade de Medicina, tendo sido afastado da docência por motivos políticos, através da Resolução do Conselho de Ministros de 14 de Junho de 1947, proferida ao abrigo do Decreto-Lei n.º 25 317, de 13 de maio de 1935. Só em 1975 seria reintegrado (simbolicamente) como professor catedrático.

Foi um dos fundadores da Aliança Republicana e Socialista (1931) e da Liga contra a Guerra e o Fascismo (1934). Envolveu-se na preparação da tentativa de revolta de 26 de Agosto de 1931, criando com Carlos Aboim Inglês, João Lopes Raimundo e Basílio Lopes Pereira um grupo revolucionário que deveria ajudar a derrubar a ditadura e a restaurar as liberdades fundamentais. Em 1932, foi preso pela PVDE e ficou em isolamento na Cadeia do Aljube.

Em 1948, apoiou a candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República. Em Julho de 1948, é novamente preso pela polícia política, no âmbito desta campanha oposicionista. Voltou a ser detido em 19 de Agosto desse ano e posto em liberdade no mesmo dia.

Fez parte do «Directório Democrato-Social», uma estrutura da oposição democrática ao regime fascista criada em 1949. Subscreveu, então, os dois documentos que levaram o título «Aos Democratas Portugueses»: no primeiro, declarava-se o propósito de continuar a luta pelas liberdades fundamentais e no segundo, de Outubro, anunciava-se a preparação da presença oposicionista nas eleições legislativas que se realizariam em Novembro desse ano. Foi presidente da Comissão Administrativa da Liga dos Direitos do Homem (1950).

Em 1957, era membro do Movimento Nacional de Defesa da Paz e da Comissão Cívica Eleitoral e foi um dos signatários da exposição enviada ao Presidente da República, no dia 1 de Outubro, explicando os motivos pelos quais a oposição não se apresentava a sufrágio. No ano seguinte, foi escolhido para a Comissão Nacional Pró-Candidatura de Cunha Leal à Presidência da República, candidatura que não foi levada adiante.

Em 1958 fez parte da comissão central dos serviços de candidatura do general Humberto Delgado à Presidência da República.

Em 1960, reactivada a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, assumiu a sua presidência.

Em 1961 foi candidato nas eleições legislativas, nas listas da Oposição. Nesse mesmo ano, a PIDE voltou a prendê-lo na sequência do «Programa para a Democratização da República», de que foi um dos signatários.

Voltaria a ser preso, em Dezembro de 1963, acusado de «actividades contra a segurança do Estado», por pertencer às Juntas de Acção Patriótica. Levado a julgamento em Tribunal Plenário, em Outubro, foi absolvido. Foi um dos fundadores da Acção Socialista Portuguesa.

No âmbito profissional, foi investigador voluntário no IPO de Lisboa e participou no Congresso dos Anatomistas (1933) e no Congresso de Anatomia de Lisboa (1941). Foi chefe dos Serviços de Análise Clínica dos Hospitais Civis de Lisboa.

Conferencista e articulista, com colaboração em diversos jornais e revistas, deixou importante obra científica, designadamente: Contribuição para o estudo das células de Nicolas, (Tese de Licenciatura, 1924); Complexos neuro-epiteliais e neuro-epitelióides, (Tese de Doutoramento, 1942); Organização da Matéria Viva (Lisboa, 1942), A organização fundamental dos seres vivos, (Ed: Biblioteca Cosmos, 1944): Cancro e Hereditariedade (Porto, 1952), Diagnóstico Laboratorial em Endocrinologia (Lisboa, 1954), Enciclopédia Médico-Cirúrgica Luso-Brasileira (Lisboa, 1960); Rim, fisiologia: laboratório e interpretação de análises clínicas, Lisboa, (Ed. Prelo, 1967); Líquidos Orgânicos: Metabolismo da Água, Electrólitos e Ácido-Base (Lisboa, 1968);Tubo digestivo, (Ed. Prelo, 1970).

Colaborou nos periódicos: O Diabo, Globo, Técnica e na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

Luís Dias Amado, maçon desde 1928, foi presidente do Conselho da Ordem do Grande Oriente Lusitano entre 1957 e 1974, na clandestinidade, e mais tarde seu Grão-Mestre entre 1975 e 1981.