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Mohan Ranadé

023933
Data aproximada da primeira prisão
Outubro de 1955

Nascido a 25 de dezembro de 1930 em Sangli, no atual Estado indiano de Maharashtra, Manohar Apte – o seu nome original – assistiu, em agosto de 1942, ainda muito novo, às manifestações massivas que responderam aos apelos à desobediência civil lançados por Mahatma Ghandi. Ficou impressionado e sentiu que “deveria fazer algo pela Índia”.
Inspirado também pela intervenção do dirigente socialista Ram Manohar Lohiya, outro activista pela independência da Índia, adotou o nome de Mohan Ranadé quando iniciou a sua militância no movimento de libertação de Goa do domínio colonial português.
Mohan Ranadé decidiu estabelecer-se em Goa em janeiro de 1948, exercendo a profissão de professor numa escola Marathi para meninas, na aldeia de Savoi Verem – aos sábados, costumava fazer palestras às suas alunas em prol do nacionalismo indiano e em defesa da luta emancipadora contra o domínio colonial.
Seguindo o exemplo de dirigentes revolucionários como Ganesh Damodar Savarkar e Vinayak Damodar Savarkar, Ranadé aderiu, em 1953, à organização Azad Gomantak Dal, partidária da ação direta, participando em diversos ataques a postos de polícia e das alfândegas, bem assim como minas, com o intuito de obter armamento e explosivos para o AGD, organizando também emboscadas a patrulhas e aos destacamento militares posicionados em zonas fronteiriças. Participou ainda, designadamente, em 1954, na libertação de Silvassa, capital do território de Dadrá e Nagar-Aveli, que estava sob domínio português,
Em outubro de 1955, durante um ataque ao posto de polícia de Betim, foi ferido e preso.
Julgado pelo Tribunal Militar Territorial de Goa a 29 de dezembro de 1956, foi sentenciado a uma pena de 26 anos de prisão (tinha nessa altura esses mesmos 26 anos de idade).
A 5 de Outubro de 1960, Ranadé foi entregue pelo comandante do navio Rovuma à PIDE em Lisboa e deu entrada no Aljube. Nesta cadeia e em Caxias, afastado da sua terra natal e dos seus familiares, esteve mais de oito anos, seis destes em total isolamento e sentindo-se perigosamente à beira da loucura até à corajosa intervenção do advogado de origem indiana Xencora Camotim, que o representou.
No início de 1969, após múltiplos apelos internacionais, foi-lhe concedida a liberdade condicional com “determinação de não voltar mais a Território Português”. Foi repatriado três dias depois de ser libertado. Voltava a ser livre ao fim de 14 anos.
Regressado ao seu país, publicou duas obras sobre a luta de libertação de Goa (“Struggle Unfinished” e “Satiche Vaan) e dirigiu uma organização de solidariedade social, especialmente vocacionada para o apoiar a educação de jovens oriundos de famílias carenciadas. Foi também, durante 5 anos, Presidente da Cruz Vermelha de Goa.
Nos últimos anos, viveu em Pune, uma cidade do Estado indiano de Maharashtra, onde morreu a 25 de junho de 2019.