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Patrício Domingues Quintas

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Data da primeira prisão

O início da Guerra Civil de Espanha, entre 17 e 20 de julho de 1936, colocou nas mãos dos militares sublevados a cidade e base naval de Ferrol, na Galiza (de onde era, aliás, natural o próprio Franco). 
Os fascistas iniciaram de imediato a perseguição aos seus opositores, dando pleno cumprimento às instruções do General Mola, datadas de 19 de julho: Es necesario crear una atmósfera de terror, hay que crear sensación de dominio eliminando sin escrúpulos ni vacilación a todos los que no piensen como nosotros. Tenemos que causar una gran impresión, todo aquel que sea abierta o secretamente defensor del Frente Popular debe ser fusilado.
Patrício Domingues Quintas, nascido em Grijó, a 16-06-1913, estudante, filho de Francisco Domingues Quintas e de Arminda Rodrigues, vivia então em Ferrol, com seu pai Francisco Domingues Quintas e seu irmão Domingo Domingues Quintas  – todos foram rapidamente entregues (em 28 de agosto), no posto fronteiriço de Valença, à Guarda Fiscal e à PVDE, que logo os identificou como tendo tomado “parte ativa no movimento revolucionário comunista”, ou seja, nas ações de resistência ao avanço fascista em defesa do Governo legal de Espanha.
Recolheram à Cadeia da Comarca de Valença e, a 5 de setembro, foram transferidos para a Delegação da PVDE no Porto e de seguida para o Reduto Norte da Cadeia de Caxias.
A 17 de outubro de 1936, Patrício Quintas integrou, com o seu pai e irmão, o primeiro grupo de presos que embarcou para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde.
A 22 de setembro de 1937, assiste à morte de seu pai, sem receber qualquer assistência médica.
Os dois irmãos, tal como já acontecera com seu pai, não se integram completamente em nenhum dos grupos políticos organizados no Terrafal. São vistos como fazendo parte do grupo dos "Galegos", algo desconsiderado pelos presos mais politizados. Mas o certo é que Patrício se sentia mais inclinado para o grupo dos anarquistas, enquanto Domingo "terá convivido mais com os comunistas".
Domingo e o seu irmão Patrício não aceitam o "indulto do Natal de 1939" pois se recusam a assinar o "termo de responsabilidade" que lhe fora apresentado, "continuando, por isso, preso".  Regressam do Tarrafal, por terem sido amnistiados, em 15 de julho de 1940. 
De imediato, a 7 de agosto, Domingo Quintas é novamente preso pela PVDE e, desta vez, uma semana depois, dá entrada na Casa de Reclusão da 1.ª Região Militar e recolhe à Companhia Disciplinar de Penamacor. Em 7 de junho de 1943, é "devolvido" à PVDE, dando entrada na 1.ª Esquadra e, mais tarde, na Cadeia do Aljube. 
Tal como seu irmão, é mandado regressar ao Campo de Concentração do Tarrafal por despacho do subsecretário de Estado da Guerra, Santos Costa  (sendo Salazar ministro), para onde parte em 12-06-1943.
Apenas regressará a Lisboa em 1 de fevereiro de 1946, com 33 anos, dos quais 10 em várias cadeias do fascismo.