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Eugénio Óscar Filipe de Oliveira

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Data da primeira prisão

Cidadão da Resistência, que se distinguiu pela coragem e pela constante luta pela Liberdade, foi um militar de carreira.
Eugénio Óscar Filipe de Oliveira nasceu em Goa a 30 de agosto de 1932 e faleceu em Lisboa, a 6 de Junho de 2014. Era filho de Suzete Maria Ribeiro Filipe e de Eugénio de Oliveira, foi casado e pai de duas filhas.
Ingressou na Escola do Exército da Academia Militar em outubro de 1952, e foi promovido a Alferes em 1955. Ainda jovem, em 1957, iniciou a sua atividade contra o fascismo, integrando-se na resistência organizada ao regime do Estado Novo. Assumiu a distribuição da revista "Tribuna Militar" na Região Centro de Portugal e efetuou contactos pessoais tendentes à divulgação das ideias democráticas. Foi promovido a Tenente a 1 de dezembro de 1957 e a Capitão em 1960. 
Em 1959, participou no Movimento Revolucionário de 12 de março, conhecido por Revolta da Sé.
Por ter tomado parte ativa na Revolta de Beja que culminou com o assalto ao Regimento de Infantaria 3, em Beja, na madrugada de 31 de dezembro para 1 de janeiro de 1962, Eugénio de Oliveira foi preso a 2 de janeiro de 1962, torturado e expulso do Exército nessa data. 
Julgado no 2.º Juízo Criminal de Lisboa (Tribunal Plenário de Lisboa), foi condenado a 3 anos de prisão, à suspensão dos direitos políticos por 15 anos e às famigeradas «medidas de segurança», prorrogáveis. Só foi libertado da Cadeia de Peniche, onde cumprira pena, a 18 de maio de 1966. Saiu sem profissão e privado da sua biblioteca, dos carros e armas e, até, da carta de condução (tudo apreendido pelo regime e que nunca lhe seria restituído). Exerceu a atividade de gestor de empresas, desde então e até à sua reintegração no Exército Português, com o posto de Major, após a Revolução de 25 de Abril de 1974. 
Durante este período, manteve sempre ligações com as forças democráticas da oposição ao regime, designadamente com camaradas de armas, com os quais conspirou até ao 25 de Abril de 1974. 
Após o 25 de Abril, integrou o Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e da LP, designadamente no 28 de setembro de 1974 e comandou a força da Escola Prática de Administração Militar contra a "intentona de Março de 1975", ocupando as instalações da RTP, no Lumiar. Em Novembro de 1975 comandou interinamente a Escola Prática de Administração Militar em Torres Novas, procedendo à neutralização das forças para-quedistas de Santa Margarida que se tinham sublevado.
Promovido a Tenente-Coronel a 15 de dezembro de 1976 e a Coronel a 24 de julho de 1981, dirigiu o Depósito Geral de Fardamento e Calçado até à sua passagem à Reserva, em 1988, passando à situação de Reforma em dezembro de 1994. 
Foi iniciado na maçonaria, em 1985, com o nome simbólico de Gandhi, na Loja “O Futuro”, vindo a desempenhar as funções de Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL) - Maçonaria Portuguesa entre 1996 e 2002.
Discursou no 5 de outubro de 2001, no 91.° Aniversário da Implantação da República Portuguesa. 
Foi Sócio da Liga Portuguesa dos Direitos do Homem; Sócio Efetivo do Clube Internacional de Foot-Ball em 1954; Sócio da Cooperativa Militar; Sócio da Cooperativa de Estudos e Documentação; Sócio Efetivo da Associação 25 de Abril, onde integrou o Conselho Fiscal; Sócio Fundador (N.º 1) da Casa de Goa e seu Presidente desde a sua fundação a 4 de junho de 1987 até 15 de junho de 1991. 
Foi agraciado pela Cruz Vermelha Portuguesa, mas sempre rejeitou qualquer outra condecoração militar ou civil, bem como qualquer indemnização ou quaisquer pagamentos retroativos derivados dos atos que praticou em sua consciência.