banner

 

João Ivo Ferreira

013858
Data da primeira prisão

Filho de Luís Leandro Ferreira e de Maria Georgina Ferreira, nasceu no Funchal, Ilha da Madeira, em 19-05-1910.
Empregado de comércio e caricaturista, será eleito, em finais de 1932, para o primeiro Comité Regional da Madeira do Partido Comunista Português.
Nessa época, os militantes comunistas madeirenses frequentavam com alguma assiduidade o café Cavalariça, situado na Rua Direita do Funchal, e também a sapataria do militante António Rodrigues, na Rua da Conceição, e reuniam-se clandestinamente onde lhes era possível.
Através de um maquinista do navio "Funchalense", conseguiam estabelecer contacto com a direção do PCP em Lisboa.
Os comunistas madeirenses apoiaram ativamente a "Revolta da Madeira, de 1931, tendo lançado com outras forças políticas, designadamente os anarquistas, um manifesto da União dos Sindicatos Operários do Funchal (USOF), apelando às forças armadas, à população civil, e aos operários e camponeses, para a continuação da luta pela Democracia, contra o regime fascista.
Desenvolveram também intensa atividade no âmbito do Socorro Vermelho Internacional, quer de apoio aos presos políticos portugueses, quer aos republicanos espanhois.
Em 1936, estiveram também presentes no movimento popular camponês que é conhecido como a "Revolta do Leite".
Em 19 de maio de 1948, João Ivo Ferreira, então principal responsável do PCP na Madeira, após o assassinato pela PVDE de Antenor da Costa Cruz, foi preso pela Delegação do Funchal da PIDE, no âmbito de uma operação que envolveu 70 detenções.
João Ivo Ferreira recolheu aos calabouços da PSP" e foi brutalmente torturado. Aí permaneceu até ser transferido, em 24-10-1948, para o Depósito de Presos de Caxias.
Em julho de 1949, foram julgados no Tribunal Plenário da Boa Hora 23 daqueles presos, sendo João Ivo Ferreira condenado em 4 anos de prisão maior celular, seguida de degredo por 8 anos ou, "em alternativa, na pena fixa de 15 anos de degredo". Apresentou recurso para o Supremo Tribunal de Justiça que lhe alterou a pena, mantendo os 4 anos de prisão maior celular ou, "em alternativa, 6 anos de degredo em possessão de 1.ª classe e suspensão de direitos políticos por 15 anos." E o STJ aplicou-lhe retroativamente a "medida de segurança"...
Em Caxias, participa com os seus companheiros de cela na obra coletiva de elaboração da letra do Hino de Caxias. Ficou também conhecido pelas caricaturas a que se dedicava, incluindo a de um guarda com cara de símio, "ironicamente esboçado com um aprimorado e ondulante rabo de macaco".
Na cadeia (Caxias e, mais tarde, Delegação da PIDE no Porto) foi por diversas vezes castigado, designadamente por demonstrar "claramente espírito de rebeldia e desobediência". Entretanto, a medida de segurança foi-lhe prorrogada, em 24-05-1954, pelo prazo de um a três anos".
Acaba por sair em liberdade a 25 de abril de 1957, 9 anos após a sua detenção.