banner

 

Raul Alves

024778
Data da primeira prisão

Nasceu em Vialonga, Vila Franca de Xira, a 09-03-1914, filho de José Alves e Mariana da Assunção.
Operário soldador e militante comunista, residia no Bairro da Companhia Industrial Portuguesa, na Póvoa de Santa Iria, quando foi preso pela PIDE em 16 de julho de 1958, acusado de “actividades subversivas”, na sequência da greve e manifestações promovidas pelos trabalhadores da Companhia Industrial Portuguesa contra a burla eleitoral no mês anterior (as “eleições” presidenciais a que se apresentou Humberto Delgado tinham ocorrido a 8 de junho).
Raul Alves foi mandado para o Depósito de Presos de Caxias mas, logo uma semana depois, a 27 de julho, foi transferido para a Cadeia do Aljube – como é sabido, era a partir do Aljube que os presos seguiam para “interrogatórios” e, na maioria dos casos, para a tortura, no 3.º andar da sede da polícia, na rua António Maria Cardoso.
No dia 31 de julho de 1958, foi assassinado o operário de Vila Franca de Xira, Raul Alves, lançado do terceiro andar da sede da PIDE, com a idade de 44 anos.
Várias pessoas terão visto um homem pendurado na parte de fora de uma das janelas do edifício que, entre gritos lancinantes, acabou por cair. E, entre elas, a embaixatriz do Brasil, Heloísa Ramos Lins, assistiu ocasionalmente ao homicídio de uma janela da residência da embaixada, que se situava junto à sede da PIDE.
Profundamente impressionada, informou o Cardeal Patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira, denunciando o ocorrido. E o certo é que este escreveu de imediato ao ministro do Interior, Joaquim Trigo de Negreiros, reclamando que não deveriam ser “usados pela Polícia de Defesa do Estado, processos que a humanidade e o Evangelho condenam”, acrescentando que “do coração desejo que tais factos [o alegado suicídio de Raul Alves] não sejam fruto de sevícias exercidas pela acção policial, mas a julgar pelo que me foi relatado, facilmente se é tentado a temê-lo”. Duas semanas depois, o Cardeal ter-lhe-á feito chegar a resposta do Ministério do Interior: «Não há motivo para ficar tão impressionada. Trata-se, apenas, de um comunista sem importância».