
Estivador e marítimo, José Ramos Vargas terá nascido em 1899, em Lisboa, variando os nomes e apelidos da sua filiação consoante os documentos consultados.
Entre 26 de fevereiro de 1919 e 15 de setembro de 1924, foi preso por onze vezes, por suspeitas de "furto", "roubo", "vadiagem", "arrombamento" e "conto do vigário". Geralmente libertado ao fim de escassos dias, a pena maior que cumpriu foi entre 6 de fevereiro de 1921 e 5 de outubro de 1923, tendo o seu processo sido remetido ao Tribunal de Defesa Social.
Acusado de pertencer à Legião Vermelha, em 25 de maio de 1925 «foi preso por tomar parte no atentado contra o Ex.mº Senhor Comandante Ferreira do Amaral» e, em 29 de Maio, «seguiu a bordo do vapor "Carvalho de Araújo" para a Guiné, por ordem do Governo».
Ter-se-á evadido da Guiné mas, em 6 de outubro de 1933, foi novamente preso em Lisboa «por suspeita de andar ligado com elementos agitadores».
Devido à sua «recente actividade revolucionária», em 19 de novembro de 1933 embarcou em Peniche com destino à Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo.
Dois anos depois, em agosto de 1935, requereu ao Governo que lhe fosse fixada residência em Cabo Verde, «sem dispêndio para a Fazenda Nacional», o que foi recusado pela Secção Política e Social da PVDE, com o argumento de que «o requerente é "O Cavalaria 7", célebre membro da Legião Vermelha. Não tem recursos para viver fora das alfurjas e é um dos espectros de vulto no capítulo do crime, sob pretexto de causa social».
Dando seguimento à decisão da PVDE, o Ministro do Interior, em despacho de 16 de agosto de 1935, indeferiu o recurso de José Ramos Vargas.
Em 23 de agosto de 1936, integrou a primeira leva de presos que foi enviada para o Campo de Concentração do Tarrafal, de onde só seria libertado em 3 de novembro de 1945.
Ficou, então, a residir em Cabo Verde.