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Luís da Costa Figueiredo

Luíz da Costa Figueiredo
1051
Data aproximada da primeira prisão
Maio de 1928

Filho de Virgínia de Sousa Figueiredo e de Francisco da Costa Figueiredo, nasceu em 25 de Junho de 1897, em Sátão, Ferreira das Aves.
Entre 1928 e 1942, Luís da Costa Figueiredo foi preso oito vezes, deportado quatro e conseguiu fugir de três dos locais de deportação. Passou por S. Tomé, Ponta Delgada, Angra do Heroísmo, Ilha Graciosa, Aljube e Campo de Concentração do Tarrafal.
Advogado, foi preso, pela primeira vez, em maio de 1928, «por fazer parte do comité revolucionário de Viseu e Coimbra» e deportado, em 7 de junho, para S. Tomé, de onde se evadiu em 1 de Julho. Terá regressado a Lamas de Ferreira de Aves, onde nascera, e no âmbito da "Revolta do Castelo" de 20 de julho de 1928, participou ativamente, juntamente com Aquilino Ribeiro, que vivia próximo, em Soutosa, nas movimentações efetuadas pelo regimento de Pinhel, tendo sido presos em Contenças na sequência do assalto ao comboio da Beira Alta. Levado, juntamente com os outros implicados, nomeadamente Aquilino Ribeiro e o médico António Gomes Mota, para o Presídio Militar de Fontelo, os três evadiram-se na noite de 15 de agosto, pelas 21 horas e 15 minutos, após terem serrado o soalho da casa onde se encontravam e passado através de uma abertura de cerca de 0,55m por 0,40m, descido para uma loja com o auxílio de uma escada e, uma vez livres da prisão e da loja, saltaram o muro da vedação que rodeava o edifício.
Os encontros conspirativos de Luís Figueiredo com Aquilino Ribeiro repetiram-se, tendo-se, também, reencontrado em Paris. No ano seguinte, o informador “Trovão” detetou-o na região de Viseu, segundo comunicação feita em 27 de junho de 1929, sendo preso dois dias depois «por se ter evadido de S. Tomé».
Deportado, em 22 de julho de 1929, para Ponta Delgada, onde se reencontrou com o tenente Manuel António Correia. Segundo este, no livro Memórias de um Resistente às Ditaduras [Temas e Debates, 2011], os dois fugiram juntos em agosto de 1929, num pequeno veleiro. Daí, com várias interrupções para contactarem com outros republicanos na mesma situação, passaram pela Ilha do Pico, e, na Ilha do Faial, embarcaram na Horta num transatlântico com destino a Marselha, mas com o objetivo, falhado, de saírem em Lisboa; seguiram para Palermo, Nápoles, Marselha, La Guardia, onde se encontrava Bernardino Machado e, finalmente, Tui, onde fizeram a travessia do rio Minho, separando-se em Braga.
Sempre vigiado, as informações de abril e junho de 1930 referiam que Luís da Costa Figueiredo fornecera bombas a Eleutério Santa Cruz Barbeitos, reunia-se num escritório da Rua dos Fanqueiros e mantinha ligações conspirativas com o aspirante da Marinha Alexandre Rodrigues, capitão Jaime Baptista e tenentes Francisco de Oliveira Pio, Moura e Quilhó.
Novamente preso em 15 de junho de 1930, «por se ter evadido de Ponta Delgada, onde se encontrava com residência fixa» e continuar a conspirar, com o ex-tenente Manuel António Correia e o ex-aspirante da Marinha Alexandre Rodrigues, entre outros, contra a Ditadura. Estava, então, envolvido na revolta reviralhista preparada para 21 de junho.
Deportado, em 8 de agosto de 1930, para Angra do Heroísmo, passou pelo Depósito de Deportados Políticos de Santa Cruz, na Ilha Graciosa, de onde escapou em 4 de novembro dentro de um cesto de vime levado para o navio «Carvalho Araújo», juntamente com outro deportado político de apelido Gonçalves.
Chegou a desembarcar em Ponta Delgada e no Funchal para contactar outros deportados políticos e, depois, seguiu para Vigo a bordo de um barco estrangeiro. Entrou em Portugal por Monção e preso, pela quinta vez, em 26 de julho de 1932, «por andar fugido», tendo-se «evadido da Ilha Graciosa, onde se encontrava com residência fixa, por motivos políticos, em 1930»; levado, incomunicável, para uma esquadra.
Segundo os informadores policiais, continuava a conspirar, reunindo-se, entre outros, com o ex-capitão Jaime Baptista, João Lopes Soares, José Severo dos Santos, Sarmento de Beires e Utra Machado. Era ainda apontado como tendo participado na revolta de 26 de agosto de 1931. Em 7 de setembro de 1932, por estar tuberculoso, foi-lhe fixada residência obrigatória em Sátão, de onde era natural, tendo seguido do Aljube para aí no dia 10, em regime de liberdade condicional. Abrangido pela amnistia de 5 de dezembro de 1932, foi restituído à liberdade definitiva. Poucos meses depois, em 15 de julho de 1933, quando estava novamente para ser detido, Luís da Costa Figueiredo escapou à prisão ao manter-se escondido na casa dos pais, em Sátão, com a cumplicidade da irmã Amélia, conseguindo iludir a GNR quando esta revistou a casa, concluindo-se que teria fugido.Sempre vigiado, foi preso, pela sexta vez, em 21 de maio de 1935, «por haver conhecimento nesta polícia de que andava desenvolvendo uma grande actividade revolucionária», sendo considerado «um elemento perigoso dentro do País». Preso pela Secção Política e Social da PVDE e levado para uma esquadra, foi transferido para o Aljube em 6 de junho. Libertado em 19 de outubro de 1935, voltaria a ser detido em 24 de novembro de 1936, «por manter ligações político-revolucionárias», direta ou indiretamente, com alguns dos arguidos no processo do assalto ao cobrador da Alfândega de Lisboa, nomeadamente com Maria do Rosário Campos, ex-tenente Manuel António Correia e António Joaquim.
Transferido para o Aljube em 11 de janeiro de 1937, logo viria a ser acusado, em maio desse ano, de estar envolvido, juntamente com Manuel António Correia e Abílio dos Reis Morais, então já no Brasil, num movimento revolucionário em preparação.
Em 5 de junho de 1937, integrou a 2.ª leva de presos políticos que embarcou para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde chegou no dia 12. Por ter sido autorizado a viver no estrangeiro, embarcou, em 20 de abril de 1939, no vapor Guiné de forma a aguardar, em S. Vicente, um transporte para o Rio de Janeiro. Por despacho do Ministro do Interior de 3 de Março de 1940, «foi deferido o requerimento de Miguel de Sousa Figueiredo, em que solicitava autorização para o epigrafado, seu irmão, regressar ao País por se encontrar em estado precário de saúde».
Seria preso pela oitava, e última vez, em 9 de junho de 1942, sendo libertado dois dias depois. Segundo Manuel António Correia, Luís Figueiredo, aquando da terceira ou quarta prisão, em junho de 1929 ou Junho de 1930, teria sido ferozmente torturado pela Polícia de Informações, tanto na sede da Rua da Leva da Morte, como na Serra de Monsanto, para onde fora levado, salvando-se ao ser socorrido por uma patrulha da GNR. Ainda segundo o mesmo autor: «O Luís de Figueiredo, extremamente valente, a quem os maus-tratos da Polícia de Informações não conseguiram arrancar os nomes dos seus camaradas, era bastante acanhado». Segundo o Filho, aquando da Segunda Guerra Mundial, esteve envolvido, juntamente com os irmãos, na extração e processamento de volfrâmio que era vendido aos ingleses. Luís da Costa Figueiredo ainda pôde assistir ao 25 de Abril de 1974 e ao fim da ditadura. Faleceu em 24 de junho de 1974 e foi sepultado no dia seguinte, dia em que completaria 79 anos. Na maior parte da documentação, o nome próprio aparece com z (Luiz), tal como tinha sido registado.
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Cfr. Manuel António Correia, Memórias de um resistente às ditaduras, Temas e Debates, 2011