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1934

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1934
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O ano de 1934 foi, sem dúvida, um ano decisivo na consolidação do governo de Salazar, que afirmou a sua autoridade, quer no setor militar, quer nos setores políticos: lançou a Acção Escolar Vanguarda, eliminou o Movimento Nacional-Sindicalista, realizou o I Congresso da União Nacional, organizou a I Exposição Colonial, comissariada por Henrique Galvão, conseguiu acordar com Carmona uma remodelação governamental e a submissão de alguns sectores militares, publicou a Lei eleitoral e o Decreto que regulamentou a Câmara Corporativa e realizou "eleições" para a Assembleia Nacional, em que os 90 candidatos da União Nacional preencheram a totalidade dos lugares.
Esse ano foi também, necessariamente, de crescente violência policial, em especial na repressão da tentativa de greve geral de 18 de janeiro e na intervenção da polícia contra os operários que, em Setúbal, tentaram invadir a delegação do Consórcio Português de Conservas, provocando inúmeros feridos e um morto.
Mas não só. A Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, criada no ano anterior em resultado da fusão das anteriores Polícia Internacional Portuguesa e Polícia de Defesa Política e Social, iniciou uma extensa ofensiva contra todos os sectores oposicionistas, num crescendo de prisões bem ilustrativo (apenas as que constam do "Registo Geral de Presos"): entre 1934 e 1936, início da Guerra Civil de Espanha, a PVDE registará 4.596 prisões, ou seja, uma média de mais de 4 presos por dia (ver anexo).
O ano de 1934 é marcado ainda por alguns casos que chegaram ao nosso conhecimento e que evidenciam claramente a situação de quantos caíam nas mãos dos esbirros da PVDE:

1. Janeiro ou fevereiro de 1934 (referenciado por Fátima Patriarca)*
Anónimo
Ingeriu uma porção de massa de fósforos, pelo que fez lavagem ao estômago e recolheu novamente à cela 

2. Fevereiro de 1934
Jaime Rebelo, militante anarquista
Cortou a língua para resistir aos interrogatórios

3. Março de 1934
Retílio Nunes Bastos, militante comunista
Tentou suicidar-se golpeando a perna com o vidro de um frasco de medicamento

4. 21 para 22 de Abril de 1934
Manuel Vieira Tomé, dirigente comunista
Morreu enforcado no segredo do Aljube

5. 8 de Maio de 1934
Vítor da Conceição, militante anarquista
Morreu sem assistência médica no Aljube

* Cfr. Maria de Fátima Patriarca, "Sobre a leitura das fontes policiais", artigo publicado em "Análise Social", vol. XXXII, 1997.