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António Jacinto do Amaral Martins

António Jacinto
Data aproximada da primeira prisão
Outubro de 1959

António Jacinto do Amaral Martins nasceu em Luanda a 28 de setembro de 1924.
Estudou no Colungo Alto e em Luanda, concluindo o curso complementar de Ciências no liceu Salvador Correia.
Trabalhou durante alguns anos como escriturário, mantendo desde cedo intensa atividade cultural e política: “Depois de 48-50 as duas coisas estavam ligadas (…) quase toda a atividade cultural tinha um objetivo político”, dirá mais tarde. Datam aliás de 1950 dois dos seus poemas mais conhecidos, “Carta dum Contratado” e “Monagamba”.
Membro da Sociedade Cultural de Angola desde 1953, é um dos fundadores – com Viriato da Cruz, Ilídio Machado e Mário António – a 12 de novembro de 1955, do efémero Partido Comunista de Angola (PCA). 
À data da sua primeira prisão, em outubro de 1959, pertencia à direção da Sociedade Cultural de Angola e ao jornal “Cultura”, que aquela editava. Embora acusado de ligação ao PCA, não é levado a julgamento, sendo libertado pouco tempo depois e retomando a sua atividade na Sociedade Cultural e também na Associação dos Naturais de Angola e na revista literária Mensagem, editada por esta.
Em novembro de 1961 volta a ser preso. Poucos meses depois, no Pavilhão Prisional da PIDE, “estava na cela, fechado, sem luz, e o guarda lá fora pôs o rádio a funcionar. Estavam a transmitir um espetáculo que se realizava não sei onde, em Luanda. E ouvi, comecei a ouvir uma voz conhecida e palavras que conhecia. Mas tive que me firmar, concentrar um bocado para identificar o que era. Era o Moisés Meneses que estava recitando a Carta dum Contratado”. 
Ao aproximar-se o julgamento, já em 1963, é mudado para a Cadeia da Comarca de Luanda. Acusado de pretender “separar o território de Angola da mãe-pátria”, crime punível com 20 a 24 anos de prisão, é condenado no Tribunal Militar Territorial a 14 anos de prisão, seguidos de três anos de medidas de segurança, prorrogáveis por períodos de seis meses.
Em agosto do ano seguinte é deportado para o Campo de Trabalho de Chão Bom/Tarrafal, na Ilha de Santiago, em Cabo Verde. A viagem – em que seguem também dois outros presos e escritores, José Mateus Vieira da Graça (Luandino Vieira) e António Cardoso – é feita na enfermaria do navio Cuanza, que escala Lobito e Mindelo antes de aportar em Santiago.  
Em 1972, na sequência de uma campanha internacional, é posto em liberdade condicional, com residência fixa em Lisboa por cinco anos e obrigatoriedade de apresentação mensal na sede da PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso.
Em 1973, no entanto, consegue fugir de Portugal, atravessar Espanha e chegar a França de onde parte para Argel (Argélia), a fim de se juntar às forças do MPLA.
Foi director do CIR (Centro de Instrução Revolucionária) Kalunga, na 2ª Região Político-Militar, e do CIR Binheco, no Mayombe.
Integrou a 1ª Delegação Oficial do MPLA que chegou a Luanda em 8 de novembro de 1974. Após a independência foi Ministro da Cultura (1975-78) e membro do Comité Central do MPLA.
Para lá do seu nome António Jacinto, usou também o pseudónimo Orlando Távora, com que assinou alguns contos
Morreu em Lisboa, a 23 de junho de 1991.